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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A História das Coisas



Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.
História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.
História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo. 
História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.



Escrito e Apresentado por Annie Leonard
Produção: Free Range Studios
Diretor: Louis Fox

Obs: Tem como assistir o documentário completo direto do site oficial.


Link: http://sununga.com.br/HDC/ (site brasileiro)

Mafalda #02

Os Estranhos


 Cinthia Medeiros
cinthia_estevam@yahoo.com.br
Ciências Sociais - UFRN
Os Estranhos

 O Zygmunt Bauman é um intelectual polonês contemporâneo, que contribuiu com o pensamento sobre a pós-modernidade, algumas de suas idéias podem nos ajudar a analisar a tirinha acima, principalmente utilizando o livro “O Mal-estar da Pós-modernidade” o qual ele faz referência ao livro de Freud, “O Mal-estar na Civilização”.
Bauman diz que só a sociedade moderna pensou em si mesma como uma atividade da cultura ou da civilização. Por isso, para ele, seria pleonasmo usarmos a expressão “civilização moderna”. Assim como cultura ou civilização, modernidade aponta/estabelece beleza, limpeza e ordem. A idéia de pureza está ligada à idéia de ordem, na qual as coisas devem estar em seu devido lugar, seguindo normas previamente estabelecidas. “O oposto da ‘pureza’ – o sujo, o imundo, ‘os agentes poluidores’ – são coisas ‘fora do lugar’” (BAUMAN. p.14). Fora do lugar concebido pelos que buscam pelo ideal da pureza.
Os padrões e modelos de pureza mudam de uma época para a outra, de uma cultura para a outra. As pessoas que são obstáculos para a organização do ambiente são tratadas como sujeira, como uma espécie de estranho. Cada tipo de sociedade produz sua espécie de estranho, eles são vistos como uma ameaça à ordem social por serem pessoas que não se encaixam dentro dos padrões sociais (moralmente, esteticamente, etc).
Não há espaço para esse tipo de indivíduos, não há um lugar para os estranhos. As pessoas são consideradas estranhas porque possuem uma tendência a não se limitar às linhas da fronteira da ordem. Algumas pessoas nunca poderão ser “reparadas”, geralmente, essas elas são abandonadas, excluídas, ou até, fisicamente agredidas.
Bauman diz que a anulação desses indivíduos se deu paralelamente a constituição dos Estados, e a partir da constituição das nações novos estranhos surgiam. O sentimento de incerteza, dominante na pós-modernidade, não se limita ao próprio futuro dos indivíduos, mas ao futuro da sociedade em si, da maneira correta de viver nele e dos critérios do que é certo e errado na maneira de viver.
Esse sentimento é tido como uma condição de vida permanente e invencível, o que leva os indivíduos a viver sobre o medo. Não há garantias de um futuro seguro, tudo pode acabar da noite para o dia.
A mídia tem uma grande porcentagem nisso, a mensagem dos meios de comunicação carrega a indeterminação do mundo. Nada é sólido e duradouro, digno de confiança, inclusive a nossa própria imagem de nós mesmos que é facilmente demolida. Dessa forma, “os estranhos já não são autoritariamente pré-selecionados, definidos e separados, como costumavam ser nos tempos dos coerentes e duráveis programas de constituição da ordem administrados pelo Estado” (BAUMAN. p.36). Agora, eles são instáveis e voláteis.
Há uma necessidade de resolver o problema da identidade que é encorajada pelos meios de comunicação de forma instantânea, e que acaba levando a angústia, sendo esta um sintoma universal dos nossos tempos, que tem diversas conseqüências.
O estranho é odioso e temido. Portanto, quanto menos as pessoas controlam suas vidas e suas identidades, mais verão as outras como estranhos e mais freneticamente tentarão desprender-se deles como algo envolvente, sufocante, absorvente.
Para ter acesso/usufruir desses ganhos (ordem, pureza, etc) a civilização paga um alto preço, pois nada predispõem naturalmente os seres humanos a preservar a beleza, conservar-se limpo e respeitar a rotina da ordem. Portanto, na medida em que respeitam e apreciam a beleza, a limpeza e a ordem, sua liberdade e seus impulsos são bloqueados.
Freud diz que “A civilização se constrói sobre uma renúncia aos instintos sexuais e agressivos” e, portanto, os prazeres da vida vêm num pacote fechado com os sofrimentos e angústias, a satisfação com o mal-estar, a submissão com a rebelião. Dessa forma, a civilização assume um compromisso, uma troca que pode ser sempre renegociada, modificada.
A compulsão, a regulação, a supressão e a renúncia forçada apontadas por Freud como mal-estares da civilização da modernidade resultaram do excesso de ordem e de sua inseparável companheira, a escassez da liberdade.
A tirinha, do site Dr. Pepper, mostra como a sociedade pode tratar um estranho, um mendigo - por exemplo - de forma brutal. Ele começa a tornar-se invisível. Os estranhos não querem pagar o preço da liberdade, por isso são excluídos e julgados como corja e depois de um tempo, tornam-se invisíveis. Fica mais fácil tentar ignorá-los ao invés de aceitar o diferente. O autor da tirinha quis mostrar justamente isso, como o diferente, que fica a margem dos limites da ordem social são tratados mesmo que inconscientemente.
Hoje, diz Bauman, vivemos o tempo da desregulamentação. Os ideais de beleza, pureza e ordem não foram, por isso, abandonados, mas agora eles devem ser perseguidos através da espontaneidade do desejo e do esforço individuais.





BIBLIOGRAFIA

BAUMAN, Zygmunt. O Mal-Estar da Pós-Modernidade. Jorge Zahar. 1º Edição, 1999.

CACHORRINHO ATROPELADO. Disponível em: http://blog.drpepper.uol.com.br/?p=2036

O Índio Moderno

Germinal


O filme retrata o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século 19 na França em relação à exploração de seus patrões.


Gênero: Drama
Diretor: Claude Berri
País/Ano de produção: França, 1993
Duração: 158 min
Elenco: Gerárd Depárdieu, Miou-Miou, Jean Carmet, Renaud, Jean-Roger Milo.

Maus Hábitos

 

MAUS HÁBITOS conta a história de uma família unida por uma variedade de distúrbios alimentares. Sua fé, seu amor, sua vaidade são todas postas à prova na mesa de jantar. Matilde é uma jovem freira convencida de que a fé move montanhas. Ela secretamente inicia um jejum místico para impedir uma inundação que ela acredita estar por vir. Elena é uma mulher linda e magra que tem vergonha do peso de sua filha, Linda, e pretende fazer de tudo para que ela esteja linda no dia de sua Primeira Comunhão. Enquanto isso, Linda está disposta a se defender até a morte para escapar do orgulho da mãe. Ao mesmo tempo, Gustavo, o pai de Linda, redescobre o amor nos braços de uma estudante cujo apelido é Gordinha e que está igualmente apaixonada por comida. MAUS HÁBITOS é a história de mulheres cujos hábitos alimentares determinam e dominam suas vidas de formas muito extremas. 

Gênero: Drama  
Diretor: Simón Bross  
Elenco: Ximena Ayala, Elena de Haro, Héctor Ortega, Claudia Ramírez, Patricia Reyes Spíndola 
Estúdio: Altavista Films 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Etnia - Chico Science

Somos todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa etnia
Índios, brancos, negros e mestiços
Nada de errado em seus princípios
O seu e o meu são iguais
Corre nas veias sem parar
Costumes, é folclore é tradição
Capoeira que rasga o chão
Samba que sai da favela acabada
É hip hop na minha embolada


É o povo na arte
É arte no povo
E não o povo na arte
De quem faz arte com o povo


Por de trás de algo que se esconde
Há sempre uma grande mina de conhecimentos
e sentimentos


Não há mistérios em descobrir
O que você tem e o que gosta
Não há mistérios em descobrir
O que você é e o que você faz


Maracatu psicodélico
Capoeira da Pesada
Bumba meu rádio
Berimbau elétrico
Frevo, Samba e Cores
Cores unidas e alegria
Nada de errado em nossa etnia.




Composição: Chico Science/ Lucio Maia

Piercing - Zeca Baleiro

"Quando o homem inventou a roda
logo Deus inventou o freio,
um dia, um feio inventou a moda,
e toda roda amou o feio"


Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar com a minha dor 4X


Pra elevar minhas idéias não preciso de incenso
Eu existo porque penso
tenso por isso existo
São sete as chagas de cristo
São muitos os meus pecados
Satanás condecorado
na tv tem um programa
Nunca mais a velha chama
Nunca mais o céu do lado
Disneylândia eldorado
Vamos nós dançar na lama
Bye bye adeus Gene Kelly
Como santo me revele
como sinto como passo
Carne viva atrás da pele
aqui vive-se à míngua
Não tenho papas na língua
Não trago padres na alma
Minha pátria é minha íngua
Me conheço como a palma
da platéia calorosa
Eu vi o calo na rosa
eu vi a ferida aberta
Eu tenho a palavra certa
pra doutor não reclamar
Mas a minha mente boquiaberta
Precisa mesmo deserta
Aprender aprender a soletrar


Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar com a minha dor 4X


Não me diga que me ama
Não me queira não me afague
Sentimento pegue e pague
emoção compre em tablete
Mastigue como chiclete
jogue fora na sarjeta
Compre um lote do futuro
cheque para trinta dias
Nosso plano de seguro
cobre a sua carência
Eu perdi o paraíso
mas ganhei inteligência
Demência, felicidade,
propriedade privada
Não se prive não se prove
Dont't tell me peace and love
Tome logo um engov
pra curar sua ressaca
Da modernidade essa armadilha
Matilha de cães raivosos e assustados
O presente não devolve o troco do passado
Sofrimento não é amargura
Tristeza não é pecado
Lugar de ser feliz não é supermercado


Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar com a minha dor 4X


O inferno é escuro
não tem água encanada
Não tem porta não tem muro
Não tem porteiro na entrada
E o céu será divino
confortável condomínio
Com anjos cantando hosanas
nas alturas nas alturas
Onde tudo é nobre
e tudo tem nome
Onde os cães só latem
Pra enxotar a fome
Todo mundo quer quer
Quer subir na vida
Se subir ladeira espere a descida
Se na hora "h"o elevador parar
No vigésimo quinto andar
der aquele enguiço
Sempre vai haver uma escada de serviço


Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar com a minha dor 4X


Todo mundo sabe tudo todo mundo fala
Mas a língua do mudo ninguém quer estudá-la
Quem não quer suar camisa não carrega mala
Revólver que ninguém usa não dispara bala
Casa grande faz fuxico quem leva fama é a senzala
Pra chegar na minha cama tem que passar pela sala
Quem não sabe dá bandeira quem sabe que sabia cala
Liga aí porta-bandeira não é mestre-sala
E não se fala mais nisso
Mas nisso não se fala
E não se fala mais nisso
Mas nisso não se fala
E não se fala mais nisso
Mas nisso não se fala
E não se fala mais nisso
Mas nisso não se fala


Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar com a minha dor 4X





Composição: Zeca Baleiro

Poema ao Mestre da Etnografia Brasileira


CÂMARA CASCUDO

Patativa do Assaré*


Eu já fiz chapéu de palha,
fiz bodoque, fiz cangalha,
carrapeta e birimbau,
fui menino prezenteiro
correndo pelo terreiro
em meu cavalo de pau
Luís da Câmara Cascudo
com seu profundo estudo,
sobre o folclore tratou,
na cultura popular
foi o maior potiguar
que o Rio Grande criou
Contava tudo a miúdo
porque sabia de tudo,
conservava nos arquivos
populares tradições,
lendas e superstições
e costumes primitivos
Do folclore foi patrono,
ergueu ali o seu trono
com o dom que Deus lhe deu,
não há em nosso universo
quem possa dizer em verso
o que ele em prosa escreveu
Eu não tenho competência
para fazer referência
sobre o seu grande saber
falando de coisa antiga,
por mais que o poeta diga
falta ainda o que dizer
Acho ser ignorante,
muito ousado, petulante,
atrevido e linguarudo,
um matuto agricultor
falar sobre o professor
Luís da Câmara Cascudo
-------------------------------

*Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, 89 anos, foi um dos poetas populares mais apreciados por Câmara Cascudo. O poema acima foi feito especialmente para o livro-reportagem que Gildson de Oliveira está escrevendo sobre o mestre da etnografia brasileira.

Câmara Cascudo: sobre si mesmo

Apenas um provinciano incurável

"Nasci na rua das Virgens e o padre João Maria batizou-me no Bom Jesus das Dores, Campina da Ribeira, capela sem torre mas o sino tocava as Trindades ao anoitecer. Criei-me olhando o Potengi, o Monte, os mangues da Aldeia Velha onde vivera, menino como eu, Felipe Camarão. Havia corujas de papel no céu da tarde e passarinhos nas árvores adultas (...). Natal de 96 lampeões de querosene. Santos Reis da Limpa em janeiro. Santa Cruz da Bica em maio. Senhora d’Apresentação em novembro. Farinha de castanha e carrossel. Xarias e Canguleiros. (...). Tinha 13 anos quando veio a luz elétrica. Festas no Tirol. Violão de Heronides França. Livros. Cursos. Viagens. Sertão de Pedra e Europa.


Nunca pensei em deixar a minha terra.

Queria saber a história de todas as cousas do campo e da cidade. Convivência dos humildes, sábios, analfabetos, sabedores dos segredos do Mar das Estrelas, dos morros silenciosos. Assombrações. Mistérios. Jamais abandonei o caminho que leva ao encantamento do passado. Pesquisas. Indagações. Confidências que hoje não têm preço. Percepção medular da contemporaneidade.

Nossa casa hospedou a Família Imperial e Fabião das Queimadas, cantador que fora escravo. (...) Filho único de chefe político, ninguém acreditava no meu desinteresse eleitoral. Impossível para mim dividir conterrâneos em cores, gestos de dedos, quando a terra é uma unidade com sua gente. (...) Dois homens quiseram fixar-me fora de Natal: Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e Agamenon Magalhães, no Recife. Jamais os esquecerei porque nada pedira. Alguém deveria ficar estudando o material economicamente inútil. Poder informar dos fatos distantes na hora sugestiva da necessidade.

Fiquei com essa missão.

Andei e li o possível no espaço e no tempo. Lembro conversas com os velhos que sabiam iluminar a saudade. Não há recanto sem evocar-me um episódio, um acontecimento, o perfume duma velhice. Tudo tem uma história digna de ressurreição e de uma simpatia. Velhas árvores e velhos nomes, imortais na memória.

Em 1946 fiz parte de uma comissão enviada pelo Ministério das Relações Exteriores ao Uruguai. Éramos três: Aluísio de Castro, Angione Costa e eu, único sobrevivente. Voltando, contou-me Aluísio de Castro que Afrânio Peixoto (escritor baiano), sabendo da expedição cultural, dissera num leve riso: "E ele deixou o Rio Grande do Norte? Câmara Cascudo é um provinciano incurável!".

Encontrara meu título justo, real e legítimo.

Provinciano incurável! Nada mais."

(Luís da Câmara Cascudo falando de si mesmo em A Província, edição comemorativa aos seus setenta anos de idade e cinquenta de atividade literária)

A Cidade - Chico Science

O sol nasce e ilumina
As pedras evoluídas
Que cresceram com a força
De pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam
Vigiando as pessoas
Não importa se são ruins
Nem importa se são boas


E a cidade se apresenta
Centro das ambições
Para mendigos ou ricos
E outras armações
Coletivos, automóveis,
Motos e metrôs
Trabalhadores, patrões,
Policiais, camelôs


A cidade não pára
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce
A cidade não pára
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce


A cidade se encontra
Prostituída
Por aqueles que a usaram
Em busca de uma saída
Ilusora de pessoas
De outros lugares,
A cidade e sua fama
Vai além dos mares


E no meio da esperteza
Internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos


A cidade não pára
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce
A cidade não pára
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce


Eu vou fazer uma embolada,
Um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado
Bom pra mim e bom pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus


Num dia de sol, recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.
Composição: João Higíno Filho




Composição: João Higíno Filho

A Vida É Desafio - Racionais Mc's

"Tem que acreditar.
Desde cedo a mãe da gente fala assim:
'Filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.'
Aí passado alguns anos eu pensei:
Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? Duas vezes melhor como ?
Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez.
E sempre foi assim.
Você vai escolher o que tiver mais perto de você,
O que tiver dentro da sua realidade.
Você vai ser duas vezes melhor como?
Quem inventou isso aí?
Quem foi o pilantra que inventou isso aí ?
Acorda pra vida rapaz"
É necessário sempre acreditar que o sonho é possível,
Que o céu é o limite e você truta é imbatível.
Que o tempo ruim vai passar é só uma fase,
E o sofrimento alimenta mais a sua coragem.
Que a sua família precisa de você
Lado a lado se ganhar pra te apoiar se perder.
Falo do amor entre homem, filho e mulher,
A única verdade universal que mantém a fé.
Olhe as crianças que é o futuro e a esperança,
Que ainda não conhecem, não sente o que é ódio e ganância.
Eu vejo o rico que teme perder a fortuna
Enquanto o mano desempregado, viciado se afunda
Falo do enfermo irmão, falo do são, intão
Falo da rua que pra esse louco mundão
Que o caminho da cura pode ser a doença
Que o caminho do perdão as vezes é a sentença
Desavença, treta e falsa união
A ambição como um véu que cega os irmão
Que nem um carro guiado na estrada da vida
Sem farol no deserto da trevas perdida
Eu fui orgia, ego louco, mas hoje ando sóbrio
Guardo o revólver quando você me fala em ódio
Eu vejo o corpo, a mente, a alma, espírito
Ouço o refém e o que diz la no ponto lírico
Falo do cérebro e do coração
Vejo egoísmo preconceito de irmão pra irmão
A vida não é o problema é batalha desafio
Cada obstáculo é uma lição eu anuncio
É isso ai você não pode parar
Esperar o tempo ruim vir te abraçar
Acreditar que sonhar sempre é preciso
É o que mantém os irmãos vivos
Várias famílias, vários barracos,
Uma mina grávida
E o mano ta la trancafiado
Ele sonha na direta com a liberdade
Ele sonha em um dia voltar pra rua longe da maldade
Na cidade grande é assim
Você espera tempo bom e o que vem é só tempo ruim
No esporte no boxe ou no futebol alguém
Sonhando com uma medalha o seu lugar ao sol porém
Fazer o que se o maluco não estudou
500 anos de brasil e o brasil aqui nada mudou
"desesperô aí, cena do louco,
Invadiu o mercado farinhado armado e mais um pouco"
Isso é reflexo da nossa atualidade
Esse é o espelho derradeiro da realidade
Não é areia, conversa, chaveco
Porque o sonho de vários na quebrada é abrir um boteco
Ser empresário não dá, estudar nem pensar
Tem que trampar ou ripar pros irmãos sustentar
Ser criminoso aqui é bem mais prático
Rápido, sádico, ou simplesmente esquema tático
Será extinto ou consciência
Viver entre o sonho e a merda da sobrevivência
"o aprendizado foi duro e mesmo diante desse
Revés não parei de sonhar fui persistente
Porque o fraco não alcança a meta
Através do rap corri atrás do preju
E pude realizar meu sonho
Por isso que eu afro-x nunca deixo de sonhar"
Conheci o paraíso e eu conheço o inferno
Vi jesus de calça bege e o diabo vestido de terno
Mundo moderno, as pessoas não se falam
Ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam
Embaralho as cartas da inveja e da traição
Copa, ouro e uma espada na mão
O que é bom é pra si e o que sobra é do outro
Que nem o sol que aquece, mas também apodrece o esgoto
É muito louco olhar as pessoas
A atitude do mal influencia a minoria boa
Morrer a toa que mais, matar a toa que mais
Ser presa a toa , sonhando com uma fita boa
A vida voa e o futuro pega
Quem se firmo falo
Quem não ganho o jogo entrega
Mais um queda em 15 milhões
Na mais rica metrópole suas varias contradições
É incontável, inaceitável, implacável, inevitável
Ver o lado miserável se sujeitando com migalhas, favores
Se esquivando entre noite de medo e horrores
Qual é a fita, a treta, a cena ?
A gente reza foge continua sempre os mesmo problemas
Mulher e dinheiro tá sempre envolvido
Vaidade, ambição, munição pra criar inimigo
Desde o povo antigo foi sempre assim
Quem não se lembra que abel foi morto por caim
Enfim, quero vencer sem pilantrar com ninguém
Quero dinheiro sem pisar na cabeça de alguém
O certo é certo na guerra ou na paz
Se for um sonho não me acorde nunca mais
Roleta russa quanto custa engatilhar
Eu pago o dobro pra você em mim acreditar
"é isso ai você não pode parar
Esperar o tempo ruim vir te abraçar
Acreditar que sonhar sempre é preciso
É o que mantém os irmãos vivos"
Geralmente quando os problemas aparecem
A gente está desprevenido né não
Errado
É você que perdeu o controle da situação
Perdeu a capacidade de controlar os desafios
Principalmente quando a gente foge da lições
Que a vida coloca na nossa frente
Você se acha sempre incapaz de resolver
Se acovarda morô
O pensamento é a força criadora
O amanha é ilusório
Porque ainda não existe
O hoje é real
É a realidade que você pode interferir
As oportunidades de mudança
Ta no presente
Não espere o futuro mudar sua vida
Porque o futuro será a conseqüência do presente
Parasita hoje
Um coitado amanha
Corrida hoje
Vitória amanha
Nunca esqueça disso.




Composição: Intro De Afro-x 509/e

Imagens e Mídias: Por uma Libertação da Cegueira da Realidade

Rogério Felinto da Silva
rogfelinto2@hotmail.com
Graduando do curso de Ciências Socias, da UFRN.


“Vivemos numa época de crescente autoconsciência” (MANNHEIM,1974, p. 69), nos afirma Karl Mannheim, em sua obra Sociologia da Cultura. Segundo este autor, que defende uma “intelligentia”, como extrato social, uma categoria, que o indivíduo foi descobrindo, graças a superação da visão mítica da Idade Média, e tomando consciência crítica das coisas. Isso se deu graças a laicização do conhecimento, e a partir da educação, se daria a democracia do saber. No entanto, essa consciência, “intelligentia”, não foi ainda atingida pela maioria da população, que vive a mercê do conhecimento, numa exploração visual, ideológica, imagética, numa extrema cegueira, recebendo e acolhendo como verdade tudo que é ditado pela mídia.
Se, por um lado, a modernização e evolução técnica trouxe uma certa “libertação” dos indivíduos, no sentido de ganharem autonomia nas possibilidades de conquista e ação, por outro lado, trouxe muita exploração, como também manipulação dos menos esclarecidos.
Segundo Guy Debord, pensador e militante político francês, vivemos numa sociedade do espetáculo, no qual tudo é mediado por imagens. Utilizando do método da teoria crítica da sociedade, argumenta para essa questão, a partir da reflexão marxista, de que “a transformação da questão social em mercadorias a serem consumidas é investigada dentro do contexto do capitalismo contemporâneo (neoliberalismo)” (COELHO; CASTRO, 2006, p.11). Tudo se transformou em espetáculo, da questão social, com o marketing da responsabilidade social à ação política. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação” (DEBORD, 1991, p. 9). Aqui nota-se a dimensão histórico-crítica da sociedade do espetáculo. A partir da reflexão sobre os conceitos marxistas de mercadoria, alienação, relações sociais de produção, Debord sintetiza seu pensamento, na busca de uma superação desta realidade. “O capitalismo é fruto de um processo histórico que separou os trabalhadores dos meios de produção e tornou possível a transformação da força de trabalho em mercadoria. [...] A alienação é simultaneamente material e intelectual (cognoscitiva)”. (COELHO; CASTRO, 2006, p.16). Só resta aos explorados por sua força de trabalho “engolir” o que é imposto pelos poderosos, fruto de sua não “libertação” através do conhecimento.
Na verdade, estamos na era em que a comunicação social tomou posse de tudo, seja na rádio, TV, principalmente, jornais impressos ou on-line, vê-se meios de divulgação de informação, que muitas vezes não gera conhecimento, apenas cria e recria imagens na imaginação do povo, sendo canais diretos de políticos, líderes religiosos e/ou outros, sempre trazendo por traz de suas informações, ideologias, formas de dominar e mantê-los “formados” segundo seus princípios. É desta maneira que eles peneiram as informações que irão disponibilizá-las, de modo que só eles coloquem o que quer e como quer, de modo que não difame seus responsáveis políticos. Desta forma, cada emissora produz um discurso para seduzir os telespectadores, guiando-os, ou doutrinando-os segundo seus regras. É neste sentido que FISCHER (2006) afirma “discurso é prática justamente por isso: porque os discursos não só nos constituem, nos subjetivam, nos dizem ‘o que dizer’, como são alterados, em função de práticas sociais muito concretas. Tudo isso envolve, primordialmente, relações de poder” (p. 85). Exatamente neste campo se dá lutas políticas, ideológicas, perpassando também diretamente pela lógica do capital, do mercado.
A TV tenta nos moldar a sua imagem e semelhança, ou seja, tanta nos transformar em seres que não precisa mais de pensar (é o que os poderosos querem), trazendo imagens prontas, em variedades, tornando o homem cada vez mais cego, do ponto de vista do real, uma vez que nos convence a cada instante que o real é aquilo que é produzido por eles, fazendo do indivíduo um ser incapaz de pensar, refletir, naturalizando suas “verdades midiáticas”. Se preocupa em dizer as pessoas como devem agir, o que é o correto, a forma que devem comer, etc. Manipula o imaginário, inculcando valores e regras. O homem perde desta maneira, a sensibilidade, a reflexão, não podendo mais interpretar certas pinturas ou imagens, a fim de saber a real intenção do autor que as criou. A questão do distanciamento é central, e que nesse contexto se perdeu.
Outra coisa importante a se considerar é a questão da formação da nossa subjetividade a partir das imagens. Lacan explica o fato da criança diante do espelho, que, a partir das sensações exteriores forma-se nossa subjetividade, ou melhor, a partir do conjunto de imagens que internalizamos ao longo da vida forma-se o nosso eu, através do processo cognitivo. Pois o que diferencia nossa visão dos animais é “o elaborado sistema de funções cerebrais que organizam os dados dos sentidos transformando-os em conhecimento, experiência e memória” (COSTA, 2005, p.31). Daí a grande importância TV, pois interferi diretamente em nossa visão, gerando armazenamento de dados, muitos dos quais artificiais, falsos.
“Fazer da TV objeto de estudo é dar conta de uma linguagem específica e, simultaneamente, mergulhar na cultura, nas lutas pela imposição de sentidos, nos modos de constituir sujeitos em nosso tempo” (FISCHER, 2006, p. 83).
Finalizando, podemos pensar um pouco sobre como é séria a nossa cegueira. Muitos falam em cegueira espiritual, mas poucos, muito poucos se dão conta da cegueira da visão do real, pois naturalizaram como verdades tudo que é dito nos meios de comunicação de massa. Como é sério a manipulação que sofre os menos esclarecidos, vítimas de um sistema capitalista e político, que alienam seus bens de escolha, de subjetividade, de ação, de moral. A autoconsciência citada no início do texto, de fato, não chegou a sua grande maioria de telespectadores. Vale salientar da grande importância dos que estão a frente destes meios de comunicação de massa, que, uma vez que forem envolvidos pela causa da transformação social, ajam diferente. Contudo, “informar significa, enfim, tornar o cidadão apto a prática da cidadania, e os profissionais envolvidos na gestão da comunicação das organizações públicas têm um importante papel social nesse processo de mudança e formação” (COELHO; CASTRO, 2006, p.209). Assim, poderíamos um pouco alcançar uma “libertação” esperada, no qual, a partir de um engajamento dos responsáveis, e dos telespectadores, não assumiriam como real tudo que oferecido pela mídia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MANNHEIM, Karl. Sociologia da Cultura. São Paulo: Perspectiva, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1974.
FISCHER, Rosa Maria Bueno. Televisão e Educação: fluir e pensar a TV. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
COSTA, Cristina. Educação, imagem e mídias. São Paulo: Cortez, 2005.
COELHO, Cláudio Novaes Pinto; CASTRO, Valdir José de. Comunicação e sociedade do espetáculo. São Paulo: Paulus, 2006.
DEBORD, Guy. Sociedade do Espetáculo. Comentários sobre a sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

O burro - Elino Julião

Vamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
0 burro é quem dá murro
Eu vejo um cidadão desocupado
No salão agraciado ganhar condecoração
O burro que trabalha pra morrer
O burro ninguem vê se quer ganhar ação
Trabalha mas ninguém lhe reconhece
O burro é quem merece ter no peito um medalhão


Vamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
0 burro é quem dá murro
Eu mesmo vi lá em minas gerais
O pobre de um rapaz trabalhando prá danado
Menino eu fiquei observando
O homem se acabando num cabo de machado
Eu sei que ele dá murro até demais
Por mais que ele dê murro não bota o burro prá trás
Vamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
0 burro é quem dá murro
O burro é que trabalha de verdade
Bota água na cidade trabalha na construção
No meu burro não tem dia nem tem hora
Saio pelo mundo fora procurando diversão
Eu sei vocês todos reconhecem
Que o burro é quem merece ter no peito um medalhão
Vamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
O burro é quem dá murro




Composição:Elino Julião

Antropologia Cultural

É Filho de Guaiamum - Elino Julião #Música 01


É Filho de guaiamum
É Filho de guaiamum
Todo mundo tem um pai
E eu não tenho um
Eita mundo velho e desigual
Lá pras bandas do Natal mora um amigo meu
Deus que me perdoe mais eu te invejo
Quem vai bem é Zé do Brejo é sorte que Deus lhe deu
Leva a sua vida descansado
Não trabalha no pesado pra homem nenhum
Vive muito bem e de lá não sai
Zé do Brejo tem um pai enquanto eu não tenho um
Veja como eu to prejudicado
Até mesmo o meu noivado a poucos dias teve fim
Minha noiva preparada pro casório
Mais com tanto falatório se zangou e disse assim
É triste a pessoa não ter pai
Pra onde a gente vai só se ouve um zum zum zum
Zé te dana pra tua casa
Que o diabo é quem se casa com filho de guaiamum
Vou cortar o mal pela raiz
Eu já fui lá no juiz pra fazer reclamação
Antes eu fiquei meio enfezado
Mais eu vi que o magistrado tava cheio de razão
Disse eu to aqui pra lhe atender
To aqui pra resolver o problema de cada um
Filho pra nascer tem que ter pai
Mais você que não tem pai
É filho de guaiamum
Composição: (Elino Julião / Aurino Francisco)

Mafalda #01



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